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29 · JUL · 2026  ·  DESENVOLVIMENTO E SEGURANÇA

Vibe coding deixou 400 chaves de acesso à vista em aplicativos no ar

Vibe coding é fazer um programa pedindo para a inteligência artificial escrever o código, e publicar sem revisar linha por linha. Uma varredura em 5.600 aplicativos feitos assim encontrou mais de 400 chaves e credenciais expostas, além de mais de 2.000 falhas de alto impacto.

PrimeiroO que a varredura achou

O termo é de Andrej Karpathy, cofundador da OpenAI, num post de 2 de fevereiro de 2025. Ele descreveu assim: a pessoa conversa com a máquina, aceita o que ela escreve e esquece que o código existe. O uso se espalhou. Em 6 de novembro de 2025, o dicionário Collins elegeu "vibe coding" a palavra do ano.

A empresa de segurança Escape reuniu aplicativos que já estavam no ar, feitos nas plataformas que geram o programa inteiro a partir dessa conversa, e testou cada um. Publicou o resultado em 29 de outubro de 2025.

Em 5.600 aplicações publicadas: mais de 2.000 falhas de alto impacto, mais de 400 chaves e credenciais expostas e 175 casos de dado pessoal acessível. Escape, 29 de outubro de 2025

Uma chave de acesso, também chamada de chave de API, é a senha que um programa usa para falar com outro serviço, como o banco de dados ou o provedor de inteligência artificial. Quem tem a chave faz tudo que o programa faria.

Boa parte dessas chaves estava no arquivo que o navegador de qualquer visitante baixa para exibir a página. Não era preciso senha nem ferramenta para lê-las.

Já as mais de 2.000 falhas não vieram de simples leitura. A Escape rodou um teste automatizado, configurado para não executar nada destrutivo, que consultava as interfaces do aplicativo usando as próprias credenciais achadas na página. É uma sondagem ativa, ainda que sem força bruta.

SegundoPor que isso acontece

Quando alguém pede para a inteligência artificial escrever um programa, o resultado quase sempre funciona na primeira tentativa. Essa é a parte fácil, e é a única que a pessoa consegue conferir sozinha. Um erro de segurança não aparece na tela.

A Veracode monta 80 tarefas de programação em que existe um jeito seguro e um jeito inseguro de resolver, e observa qual deles os modelos escolhem sozinhos, sem ninguém pedir segurança. A medição publicada em 24 de março de 2026 mostra os dois lados dessa conta.

A taxa de código que roda sem erro de escrita subiu de cerca de 50% para cerca de 95% em dois anos. A taxa de código seguro ficou em 55%, praticamente onde estava dois anos antes. Veracode, 24 de março de 2026

O resultado muda conforme a linguagem de programação. Python ficou em 62%, C# em 58% e JavaScript em 57%. Java ficou em 29%, o pior da lista.

Duas falhas tiveram as piores taxas. Uma é o XSS, quando o programa deixa outra pessoa injetar código na página que a vítima abre: 15% de aprovação. A outra é a injeção em registro de log, com 13%. As duas exigem acompanhar o caminho que um dado percorre dentro do sistema.

TerceiroA chave que vaza continua funcionando

Quando uma chave vai parar num repositório público, que é o lugar onde o código do projeto fica guardado com todo o seu histórico, o dono costuma apagar o registro daquela alteração e seguir em frente.

Das credenciais confirmadas como válidas em 2022, 64% ainda funcionavam em janeiro de 2026. GitGuardian, State of Secrets Sprawl 2026

Apagar não resolve, porque o histórico do repositório guarda as versões anteriores e porque quem copiou já copiou. O que encerra o acesso é trocar a chave no serviço que a emitiu.

E o volume está subindo. Foram 28.649.024 chaves e senhas novas em repositórios públicos do GitHub em 2025, alta de 34% em um ano e o maior salto já registrado pela empresa. As ligadas a serviços de inteligência artificial passaram de 1,27 milhão, crescimento de 81%.

O mesmo relatório isolou as alterações de código feitas com o assistente Claude Code. Nelas, a taxa de vazamento foi de 3,2%, contra 1,5% na média de todas as alterações públicas do GitHub. É 2,1 vezes mais.

QuartoO que dá para conferir hoje

As três checagens abaixo não exigem ferramenta paga e qualquer pessoa consegue fazer pelo navegador.

Para quem programa, vale uma quarta: nenhuma chave pode estar em arquivo de código. O lugar delas é o arquivo de configuração separado, o .env, e esse arquivo precisa estar listado no .gitignore, que é a lista do que não sobe para o repositório.

QuintoSites que conferem por você

Os quatro abaixo são gratuitos e não pedem cadastro. Eles fazem coisas diferentes, e a diferença importa.

O haveibeenpwned.com não olha sistema nenhum: consulta uma base de vazamentos já conhecidos e diz se um e-mail seu aparece em algum.

Existe ainda a categoria dos serviços que ficam ligados ao repositório e avisam a cada alteração. Aikido e Snyk são dois deles, os dois com plano gratuito. No Aikido, o plano gratuito cobre 10 repositórios e 2 pessoas sem pedir cartão, e o pago começa em 300 dólares por mês para 10 pessoas.

SextoO que ainda não se sabe

A Escape declara quatro limites do próprio levantamento, e eles mudam como o número deve ser lido.

Um programa que funciona não é um programa seguro, e essa diferença nunca apareceu na tela de quem publica. Enquanto a taxa de código que roda sem erro de escrita subiu para 95%, a de código seguro parou em 55%. Quem gera software conversando com uma máquina precisa de uma verificação separada, porque a máquina entrega a primeira coisa e não a segunda.

FontesOnde conferir

  1. Segurança do código gerado por IA Spring 2026 GenAI Code Security Update, Veracode, 24/03/2026.
  2. Credenciais vazadas e validade The State of Secrets Sprawl 2026, GitGuardian, março de 2026.
  3. Aplicativos publicados, com a metodologia e os limites Methodology: how we discovered over 2k high-impact vulnerabilities in apps built with vibe coding platforms, Escape, 29/10/2025.
  4. Origem do termo Post de Andrej Karpathy, 02/02/2025, e a palavra do ano de 2025 do dicionário Collins, anunciada em 06/11/2025.
  5. Ferramentas citadas securityheaders.com · HTTP Observatory · crt.sh · SSL Labs (termos de uso) · gitleaks · Have I Been Pwned · Aikido · Snyk.